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LULA na frente pra 2018

De acordo com pesquisa Datafolha, publicada nesta segunda-feira (no mesmo dia da condenação do Palloci) pelo jornal Folha de S. Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua liderando a corrida eleitoral para 2018 . O petista tem 30% das intenções de voto do eleitorado.

Segundo a pesquisa, no caso de segundo turno, LULA só perderia para Marina (REDE) ou Sérgio Moro (SEM PARTIDO).

A pesquisa foi realizada entre os dias 21 e 23 de junho, com 2771 eleitores em 194 cidades, com uma margem de erro de 2% para mais e para menos e um nível de confiança de 95%.

A hora do juízo final

Li o texto abaixo e resolvi publicar para os visitantes do Pará Político.

Sobre o autor: Iniciou sua carreira em Brasília, tendo atuado em diversos veículos de comunicação, como Correio Brasiliense, Veja, Exame, Estado de Minas e IstoÉ.

Em 1993, graduou-se em jornalismo pela Universidade de Brasília e logo depois foi selecionado para o programa de jovens talentos do jornal O Estado de São Paulo. Após cursá-lo, recebeu um convite para trabalhar no Correio Braziliense, principal jornal da Capital Federal. Seis meses depois, graças ao trabalho no Correio Braziliense, foi convidado para trabalhar na sucursal da revista Veja, da Editora Abril, em Brasília. Em 1994 transferiu-se para a cidade de São Paulo, “ainda na Editora Abril, para atuar como repórter da revista Exame.

Ainda no início de 1997, aos 25 anos, foi convidado para a editar a seção de economia do jornal Estado de Minas, em Belo Horizonte.

Em 2005 publicou uma das principais reportagens investigativas da crise do governo Lula, ao entrevistar a secretária Fernanda Karina Somaggio.

Em 2011, criou o Brasil 247, primeiro jornal brasileiro desenvolvido para o iPad.

 

“A hora do juízo final

No aguardo dos pedidos de inquéritos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Brasília estremece. O STF já prepara HDs para armazenar as delações dos 77 executivos da Odebrecht. A Lava Jato chega, enfim, à classe política. Começa o fim do mundo

 

Detentor dos mais recônditos segredos capazes de abalar a República, o procurador-geral Rodrigo Janot carrega um semblante que, de tão sereno e tranquilo, contrasta com o da esmagadora maioria dos políticos. Na última quinta-feira 9, enquanto o meio político aguardava em estado de tensão e pânico a bombástica lista de pedidos de inquéritos com base nas 77 delações da Odebrecht, Janot almoçava sushi em um restaurante de Brasília, com o terno pendurado na cadeira. Tratava-se de uma pausa em meio ao ritmo frenético de trabalho. Desde o carnaval, Janot e sua equipe se debruçam incansavelmente sobre as petições que serão apresentadas ao STF possivelmente nesta segunda-feira 13 – uma data sugestiva – e revelarão indícios veementes de pagamentos de propina para mais de uma centena de  políticos, incluindo a cúpula do governo, petistas de altíssimo calibre, como os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, e lideranças de PMDB e PSDB.

O documento está em fase final de ajustes. Na expectativa de um volume colossal de depoimentos, o STF recomendou aos veículos de comunicação que entregassem, cada um, na última semana, dois HDs de 1 terabyte cada, para que sejam armazenados os pedidos de inquéritos e as delações. O gesto importante e de transparência é a prova inequívoca de que a corte está de prontidão à espera do que se convencionou chamar de começo do fim do mundo. Qual seja, o momento em que a Lava Jato alcança definitiva e incontestavelmente à classe política, sem distinção partidária. Por isso, Brasília sai do seu eixo habitual e estremece.

NITROGLICERINA PURA
As revelações feitas nas duas últimas semanas, durante os depoimentos de executivos da Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deram uma pequena amostra do tamanho do estrago que vem pela frente. Primeiro, foram os R$ 150 milhões – R$ 50 milhões só de propina – destinados por Marcelo Odebrecht à campanha de Dilma Rousseff em 2014, sendo 4/5 via caixa dois, incluindo repasses para a conta do seu marqueteiro na Suíça. Em seguida, as cifras chegaram a patamar astronômico depois que outro ex-funcionário da empresa, Hilberto Mascarenhas, estimou que o departamento de propina da Odebrecht gastou cerca de US$ 3,4 bilhões entre 2006 e 2014 só em pagamentos de propina. Fontes ouvidas por ISTOÉ também cravam que o depoimento de Marcelo Odebrecht será arrasador para o ex-presidente Lula, réu já em cinco processos. É nitroglicerina pura. Conforme antecipou a revista, o empresário detalhará pagamentos em dinheiro vivo ao petista.

Outro ingrediente desse caldeirão azedou de vez o clima político na capital. A Segunda Turma do STF, na terça-feira 7, recebeu denúncia movida por Janot contra o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro com base na doação oficial de R$ 500 mil feita pela empreiteira Queiroz Galvão. Houve divergência entre os ministros em relação à imputação de lavagem de dinheiro: Dias Toffoli e Gilmar Mendes opinaram no sentido de não rejeitar a imputação, mantendo só a corrupção. “Aqui, no caso concreto, não há a clandestinidade, porque houve depósito em conta do partido, contas que são sindicadas pela Justiça Eleitoral”, afirmou Toffoli. Acabaram vencidos pelo relator Fachin e pelos ministros Ricardo Lewandowski e Celso de Mello.  O Congresso Nacional entrou em parafuso, porque o Supremo sinalizou para a possibilidade de criminalizar pagamentos feitos oficialmente com registro na Justiça Eleitoral. Ou seja, por dentro. Ato contínuo, políticos da maioria dos partidos desfiaram um rosário de críticas à decisão do Supremo. Claro, receosos da jurisprudência criada para acusações generalizadas contra todos. Para o advogado de Raupp, Daniel Gerber, o recebimento da denúncia abre a possibilidade de criminalizar as doações, mas uma condenação só poderia ocorrer caso se comprovasse uma contrapartida feita pelo político para beneficiar a empresa, o chamado ato de ofício. “A demonstração de legitimidade da doação passará pela prova de inexistência de promessa indevida como contrapartida ao recebimento de valores”, afirmou Gerber.

Mesmo quando a famigerada lista chegar ao STF o suspense não vai terminar de imediato. Janot já adiantou que pedirá a retirada do sigilo do material que acompanha as petições, mas o ministro do STF Edson Fachin, atual relator da Lava Jato, ainda pretende se debruçar sobre a documentação para avaliar se autoriza ou não a abertura dos inquéritos e a divulgação do teor explosivo das acusações. Não há prazo para Fachin despachar os pedidos de Janot, embora sua equipe já esteja de prontidão para resolver o assunto o mais rápido possível. A expectativa é que sejam abertos dezenas de inquéritos no Supremo e que outra parcela significativa das investigações seja enviada à primeira instância nos Estados, por não envolverem políticos com foro privilegiado. Lula e Dilma, por exemplo, não têm foro especial. Apenas os casos referentes à Petrobras ficarão em Curitiba, sob condução do juiz federal Sérgio Moro, enquanto as outras suspeitas de ilícitos devem ser distribuídas para procuradores e promotores de todo o País, de acordo com o local dos fatos criminosos.

O terror se alastra no Congresso Nacional à medida que os parlamentares acompanham atônitos o infortúnio de antigos colegas, hoje às voltas com rotinas espartanas no cárcere. Para estes, o juízo final já chegou. Um dos casos mais emblemáticos, o do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) já acumula tantas acusações que desponta como o símbolo nacional da corrupção. Ele já é réu em seis ações. A última revelação foi que recebeu propina até em euros, no próprio Palácio Guanabara, segundo depoimento prestado na terça-feira 7 por Alberto Quintaes, ex-executivo da Andrade Gutierrez. Como a moeda vale três vezes mais do que o real, era mais fácil para receber propina em euro, segundo o relato. “Eram poucas notas e um volume grande de reais”, afirmou o executivo. Já o ex-ministro petista José Dirceu, também ex-deputado, parece que mofará na cadeia: amargou sua segunda condenação na Lava Jato, desta vez a 11 anos de prisão por recebimento de propina de um contrato da empresa Apolo Tubulars com a Petrobras. Em maio do ano passado, ele já havia sido condenado pelo juiz Sérgio Moro a 23 anos de prisão, maior pena aplicada na Lava Jato. O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) também está longe de voltar a ver a luz do dia fora do Complexo Médico Penal em Curitiba. Teve mais um habeas corpus negado. Em situação igualmente complicada encontra-se o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Na última semana, ficou comprovado: ele é mesmo o “italiano” das planilhas da Odebrecht, acusado de movimentar R$ 128 milhões em propinas. Assim como João Santana foi identificado como “Feira” e Lula como o “Amigo”, devido sua relação com Emílio Odebrecht.

CAIXA UM E DOIS
As formas de pagamento aos políticos e a criminalização de doações serão debatidos à exaustão tão logo a caixa de Pandora (artefato da mitologia grega de onde saíam todos os males do mundo) da Odebrecht seja aberta, já que as delações vão abordar pagamentos registrados na Justiça Eleitoral e também os realizados via caixa dois. As implicações nos partidos políticos deverão ser generalizadas, lançando mais suspeitas sobre as principais figuras de partidos como PT, PSDB e PMDB. Além do primeiro escalão de Temer e dos ex-presidentes Lula e Dilma, a Odebrecht também deve envolver dirigentes tucanos. Nesse cenário, inclusive, começa a ser ventilado o nome do prefeito de São Paulo João Dória (PSDB) como possível presidenciável, por ser considerado um outsider da política, anti-estabilishment e não estar implicado nas pesadas acusações surgidas na Operação Lava Jato.

Um dos alvos principais da Odebrecht, o governo Temer tenta se blindar. Direciona seu foco para as medidas econômicas, como o anúncio de um programa de concessões na infraestrutura. Ao participar de um jantar na última terça-feira 7, Temer disse que não estava se preocupando com a lista de Janot. “Se eu for me preocupar com isso, não faço mais nada. Não estou preocupado. Cada Poder cuida de uma coisa”, disse o presidente. Apesar de suas declarações, é grande a pressão sobre o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, depois que o advogado José Yunes, amigo próximo de Temer, veio a público confirmar que recebeu um pacote da Odebrecht em seu escritório a pedido de Padilha, que teria sido entregue pelo doleiro Lúcio Funaro, apontado como operador do esquema na Caixa. Logo depois da entrevista de Yunes, Padilha pediu licença para se submeter a uma cirurgia, mas ainda não retornou ao governo.

Em meio a esse cenário de terra arrasada, cabe ao Ministério Público e ao Judiciário dar celeridade às investigações para permitir que o País finalmente vire a página. Todos os crimes são crimes e os corruptos devem ser julgados e punidos à luz da lei e do estado democrático de direito, mas é necessário separar o joio do trigo, distinguindo os que foram agraciados com doações eleitorais daqueles que receberam propina e montaram um projeto estruturado de poder destinado a sangrar estatais durante os 13 anos de governo petista. Definitivamente, caixa dois, propina em benefício pessoal e um esquema na Petrobras arquitetado por um governo para se perpetuar no poder não constituem faces da mesma moeda. Quem quer igualar a todos deseja, na verdade, um salvo conduto para voltar ao poder em 2018 e repetir as práticas criminosas que colocaram em marcha. O criminalista Eugênio Pacelli, autor de livros sobre Direito Penal e Direito Processual Penal, adverte que não se pode fazer a “desmoralização antecipada de pessoas e instituições”. “O Ministério Público tem instrumentos legais para evitar isso. A punição de pessoas físicas não pode paralisar a pessoa jurídica”, afirmou.

Para isso, tem sido costurados acordos de leniência que salvarão as empresas de sofrerem punições pesadas a ponto de serem obrigadas a fechar as portas. As pessoas jurídicas também terão que pagar multas e colaborar com as investigações, mas ficam poupadas da proibição de contratar com o poder público e outras mais danosas. Esses acordos têm sido negociados com o Ministério Público Federal e com o governo federal, sob condução do Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União. No caso dos acertos com o governo, cabe ainda à atual gestão destravar as negociações com as empresas, que esbarram em fragilidades da legislação, e finalmente dar prosseguimento às assinaturas. Essas negociações se arrastam há mais de um ano, sem conclusão. Somente o MPF tem conseguido assinar os acordos com as empresas, mas a medida não é suficiente para livrá-las de punições administrativas do governo federal.

A agenda do País não pode se resumir às páginas policiais e precisa se dedicar também às reformas e discussões relevantes para colocar a economia de volta aos trilhos. Somado a isso, cabe ao meio político permitir o surgimento de lideranças que não estejam contaminadas pelas suspeitas de corrupção, para que o País seja passado a limpo e possa ter alternativas viáveis de poder para 2018. O juízo final representa a falência de um sistema político baseado no pires na mão e que precisa ser profundamente rediscutido e reformado, para afastar de uma vez por todas marca da corrupção da sociedade brasileira. Que venham as delações.”

O Carnavalismo

“Li o texto abaixo e resolvi publicar para os visitantes do Pará Político.

Sobre o autor: Mentor Muniz Neto, 51, é escritor. Mora em São Paulo com suas filhas Manuela, Olivia e Catarina e escreve crônicas do cotidiano que às vezes parecem realismo fantástico

“O Carnavalismo

Brasileiros, a hora é essa.

Nós, como um povo criativo e resiliente precisamos dar uma lição ao mundo.
Chegou a hora de criarmos nossa própria Forma de Governo.

Nada de Presidencialismo, Parlamentarismo, Socialismo, Sadismo ou Comodismo.
Esqueçam o Liberalismo, o Comunismo, o Ufanismo ou o Sedentarismo.

Basta de importar da Europa ou dos EUA nossa escola político-econômica.
É hora de criar uma Forma de Governo tropical, marota, de raiz.

Apresento aos senhores: O Carnavalismo.

Trata-se de adaptação da Anarquia revista e atualizada para
o samba no pé.

No Carnavalismo, o presidente passa a se chamar Cartola e acumula as funções de carnavalesco e puxador de samba.

Uma grande vantagem do Carnavalismo é que a fase de transição não será traumática porque também não se leva a sério conceitos como eficiência, corrupção, justiça etc.

O que vale mesmo é a alegria do cidadão e a temperatura da cerveja.
Nas ruas, o cidadão tem o direito de fazer o que quiser.

Urinar nos postes como cachorro, arrancar a camisa e mostrar os peitos com um “Fora Temer” estampado na pança… enfim, tudo que vimos essa semana que passou, só que 365 dias por ano.

Turistas do mundo todo virão conhecer nossa Democracia Carnavalesca.

O governo?

O governo só estabelece o enredo.

De quatro em quatro anos, ao invés de eleições, uma comissão
de notáveis se reunirá no sambódromo para dar as notas
à cada quesito.

Se a média for maior que oito, o governo continua.

Se for menor, o Cartola cai.

Aí sim teremos eleições.

A título de exercício, avaliemos o Brasil atual.
 

Bateria.
Esse quesito avalia a cadência do governo.
A habilidade do uso dos instrumentos, enfim, a manutenção
do ritmo.
A cadência desse governo é um desastre.
Surpresas a cada nomeação, falta de criatividade no uso dos instrumentos e, convenhamos, o puxador é de um desânimo incomparável.
Cada vez que abre a boca, a avenida dorme de tédio.
Nota cinco, no máximo.

Enredo.
Aqui brilhamos.
É uma surpresa atrás da outra.
O enredo do Brasil é digno de uma obra de Saramago.
Nada é o que parece ser.
Dez! Nota dez!

Harmonia.
Um desastre.
O País rachado ao meio.
De um lado, quem acredita que está ruim mas podia estar pior.
De outro, os que acham que está pior do que quando estava ruim.
Quatro, no máximo.

Alegorias e adereços.
Aqui a gente brilha.
Cria-se alegorias para as mais óbvias verdades e se entope
de adereços o que era para ser evidente.
Dez. Nota dez!

Samba-Enredo.
Maravilhoso.
É só ver a quantidade de gente dançando!
Dez!

Evolução.
Estamos empurrando com a barriga, convenhamos.
Mas considerando que esse Cartola é provisório, é o que temos.
Toma um oito aí e segue com o carro alegórico.

Fantasia.
Precisa votar?
Dez.

Comissão de Frente.
A Comissão de Frente, com mestre Henrique, melhorou.
Vamos dar um sete, em nome da esperança.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira.
Quando a porta-bandeira caiu o mestre-sala assumiu sem conflitos.
Vai um seis aqui, pelo esforço.
Aí é só tirar a média.
Nesse caso deu 7,7.
Se todo mundo gostou, lindo.
Caso contrário é só chamar o Warren Beatty para anunciar.
E segue o samba.”

Texto da coluna do Mentor Muniz Neto, na revista ISTOÉ.

 

Mais bronca pro governo Temer

O Tribunal Superior Eleitoral começa hoje a receber depoimentos dos delatores da Odebrecht (Marcelo Odebrecht será o primeiro delator a ser ouvido) na ação que investiga se a chapa Dilma/Temer cometeu abuso de poder político e econômico nas eleições de 2014.

Marcelo Odebrecht está preso desde junho de 2015 e fez delação pra tentar se livrar mais cedo da prisão (ele foi condenado a 19 anos e quatro meses de prisão).

Com as delações da turma da Odebrecht sobre a questão, a temperatura em Brasília deve aumentar. No mínimo, mais bronca no governo Temer – já tão desgastado – a caminho. É só aguardar.

 

Até tu, Silas!?!

O pastor Silas Malafaia foi indiciado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro.

No ano passado, o pastor foi conduzido coercitivamente a prestar esclarecimentos, sobre a questão, na Operação Timóteo.

Aqui no Pará, também no ano passado, por essa mesma Operação da Federal, o Alberto Jatene, filho do governador do nosso Estado (Pará), esteve preso por quase uma semana (prisão temporária). Hoje, passa a ser um indiciado também pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

Eu hein! Até tu, Silas!

Romero Jucá: “Suruba é suruba”

“Se acabar o foro, é pra todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada”.

A expressão acima é do senador Romero Jucá, atualmente, líder do governo no Congresso, que após a repercussão, pediu desculpas por ter usado o termo “suruba selecionada” ao comentar sobre a proposta de restringir o foro privilegiado para processos judiciais quando envolvidos agentes públicos.

Um senador da República, e ainda líder de governo, usando expressões tão pequenas para exemplificar seja lá o que for, tem mais é que pedir desculpas mesmo. Com essas atitudes, até parece que estão diante uma “suruba” realmente, onde tudo é possível.

Eu hein!

Eliana Calmon: “Lava Jato precisa chegar ao Judiciário”

“A Lava Jato foi um divisor de águas para o país. A partir dela vieram à tona as entranhas do poder brasileiro, e sua relação com a corrupção em todos os níveis de Governo. Mas para que tudo isso fique muito claro, seja passado a limpo de fato, precisa se estender para todos os poderes. Muitos fatos envolvendo o Executivo e o Legislativo vieram à tona, mas o Judiciário ficou na sombra, é o único poder que se safou até agora.”

A afirmação acima é da ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça, a senhora Eliana Calmon.

Recentemente, em entrevistas, ela fez duras críticas à não extensão da Lava Jato para o Poder JUDICIÁRIO.

A ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que polemizou em 2011 ao afirmar também que o JUDICIÁRIO abrigava “bandidos de toga”, desta vez, disse que o JUDICIÁRIO foi o único Poder que ficou “à sombra” das investigações. Calmon fez referências também a blindagem de Michel Temer a seus ministros acusados de receber propina.

Quando uma ex-magistrada da expressão da senhora Eliana, realiza esses comentários, será que ainda temos que ter dúvidas a respeito?

 

A morte e a morte da Lava Jato

Li o texto abaixo e resolvi publicar para os visitantes do Pará Político.

Sobre o autor: Murillo de Aragão é advogado, jornalista e cientista político. É articulista dos jornais O Estado de São Paulo, O Tempo (Belo Horizonte), O LIberal (Belém) do Blog do Noblat (O Globo) e revista IstoÉ. É Debatedor do Programa Globo News Painel.

Texto da coluna do Murilo Aragão, na Revista ISTOÉ:

“A morte e a morte da Lava Jato

Periodicamente, a imprensa anuncia – com estardalhaço – que a Operação Lava Jato está ameaçada. Todos os movimentos políticos ocorridos, ainda na época da ex-presidente Dilma Rousseff e já na era Temer, foram interpretados, de alguma forma, como bloqueios e tentativas de obstrução das investigações. De votações no Congresso a nomeações de ministros, entre outros fatos.

Até a morte do ministro do STF Teori Zavascki ensejou especulações sobre o futuro da Operação, a partir da teoria de que sua morte poderia ter sido um atentado. A Operação Lava Jato, no entanto, continua firme e forte. A narrativa de sua morte tem três objetivos precisos. O primeiro é criar uma preocupação que leve a opinião pública a pressionar por sua continuidade, mas não apenas isso. Também busca criar um movimento que amplie seus efeitos e dê sustentação ao ativismo judicial de muitas das decisões – algumas extravagantes – no âmbito da Operação. E o movimento vai além: visa a constranger os políticos a não adotarem medidas que “matem” a Lava Jato. Assim, anuncia-se a morte da Operação como forma de torná-la imortal.

Ou seja, a “morte” da Lava-Jato é identificada com o não avanço das propostas que poderiam trazer restrições ao ativismo judicial. Ativismo que estimula decisões monocráticas, prisões de longo tempo, conduções coercitivas sem prévio convite, entre outras medidas. Tudo sob o aplauso da opinião pública, que acredita – com e sem razão – que, se não for assim, na marra, nada
vai acontecer. Para alegria de muitos, a Lava Jato não vai morrer. Mesmo que o ativismo judicial seja contido, que radicalismos sejam limados e que o sistema político aprove algumas das medidas de alívio, as transformações resultantes já serão decisivas para um futuro diferente.

O capitalismo tupiniquim vai dar lugar a outro, mais transparente e menos corrupto. O sistema político vai ser depurado, ainda que em velocidade que desagrade ao nosso autoritarismo cívico. Dezenas de políticos terão suas carreiras ceifadas. Outros vão escapar por conta de minúcias. Partidos políticos importantes vão perder a competitividade. Mas, no final das contas, sob uma perspectiva histórica, a ela será lembrada como marco de transformação profunda no sistema político e econômico do País. Pelo simples fato de que a Lava Jato é imortal.”

Perguntas de Cunha a Temer

Nova lista de perguntas de Eduardo Cunha para Temer deve badalar os comentários políticos da semana. 

O presidente Michel está no processo como testemunha do ex-deputado.

Desde quando preso, não é a primeira vez que o Cunha faz perguntas ao presidente. Em 2016, ele fez 41 perguntas ao Temer na Justiça Federal de Curitiba, no entanto, 21 perguntas foram censuradas pelo juiz Sérgio Moro. Desta vez, a tarefa cabe ao juiz Vallisney de Souza Oliveira, da Décima Vara Criminal Federal de Brasília.

Perguntas de Cunha a Michel Temer:
1 – Em qual período o senhor foi presidente do PMDB?
2 – Quando da nomeação do senhor Moreira Franco como vice-presidente de
Fundos e Loteria da Caixa Econômica Federal, o senhor exercia a presidência do PMDB?
3 – O senhor foi o responsável pela nomeação dele para a Caixa? O pedido foi feito a quem?
4 – Em 2010, quando o senhor Moreira Franco deixou a CEF para ir para a coordenação da campanha presidencial como representante do PMDB, o senhor indicou Joaquim Lima como seu substituto?
5 – O senhor conhece a pessoa de André de Souza, representante no Conselho dos Trabalhadores no FI/FGTS à época dos trabalhadores?
6 – O senhor fez alguma reunião para tratar de pedidos para financiamento com o FI, junto com Moreira Franco e André de Souza?
7 – O senhor conhece Benedito Júnior e Léo Pinheiro?
8 – Participou de alguma reunião com eles, junto com Moreira Franco para doação de campanha?
9 – Se a resposta for positiva, estava vinculada a alguma liberação do FI?
10 – André da Souza participou dessas reuniões?
11 – O senhor conheceu Fábio Cleto?
12 – Se sim, o senhor teve alguma participação em sua nomeação?
13 – Houve algum pedido político de Eduardo Paes, visando à aceleração do projeto Porto Maravilha para as Olimpíadas?
14 – Tem conhecimento de oferecimento de alguma vantagem indevida, seja a Érica ou Moreira Franco, seja posteriormente para liberação de financiamento do FI/FGTS?
15 – A denúncia trata da suspeita do recebimento de vantagens providas do consórcio Porto Maravilha (Odebrecht, OAS e Carioca), Hazdec, Aquapolo e
Odebrecht Ambiental, Saneatins, Eldorado Participações, Lamsa, Brado, Moura Debeux, BR Vias. O senhor tem conhecimento como presidente do PMDB até 2016 se essas empresas fizeram doações a campanhas do PMDB. Se sim, de que forma?
16 – Sabe dizer se algum deles fez doação para a campanha de Gabriel Chalita em 2012?
17 – Se positiva a resposta, houve a participação do senhor? Estava vinculada à liberação desses recursos da Caixa no FI/FGTS?
18 – Como vice-presidente da República desde 2011, teve conhecimento da participação de Eduardo Cunha em algum fato vinculado a essa denúncia de cobrança de vantagens indevidas para liberação de financiamentos do FI/FGTS?
19 – Joaquim Lima continuou como vice-presidente da Caixa Econômica Federal em outra área a partir de 2011 e está até hoje, quem foi o responsável pela sua nomeação?

Operação Leviatã

A Polícia Federal, através da operação Leviatã (extensão da Lava Jato que investiga a obra de Belo Monte), esteve nas ruas de alguns Estados hoje (16) cumprindo mandados de busca e apreensão.

Desta vez, os alvos foram: Edison Lobão, Márcio Lobão e Luís Otávio Campos.

Luís Otávio Campos é um ex-senador pelo Pará.

A operação foi autorizada pelo STF, através do ministro Edson Faschin.

A “Lava Jato” parece que chegou de vez no Pará.

Eu hein! Acho que se espremer, sai suco. E o suco é dos azedos.

Abaixo, informações do Luís Otávio Campos, segundo o “Wikipédia”:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Ot%C3%A1vio_(pol%C3%ADtico)